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'As pragas do Egito não são nada em comparação com o que estamos sofrendo aqui', diz bispo sobre Venezuela

Levantamento indica que a Venezuela se encontra na mesma condição dos países mais pobres da África

Pâmela Lima

2020-07-27 22:54:03


Apesar das dificuldades, o bispo garantiu que não pretende abandonar as pessoas nesta condição (Reprodução)

O bispo da cidade venezuelana de San Carlos, Dom Polito Rodríguez Méndez, comparou as pragas do Egito aos efeitos que a pandemia do novo coronavírus causou na já fragilizada economia do país. Em entrevista para a fundação pontifícia "Ajuda à Igreja que Sofre", o religioso destacou que a fome assola o país comandado pelo ditador, Nicolás Maduro.  

"As pragas do Egito não são nada em comparação com o que estamos sofrendo aqui (%u2026) Os mais atingidos são os mais pobres, os que não têm nada para comer nem têm possibilidade de levar uma vida digna", disse o bispo. Um estudo publicado pela Universidade Católica Andrés Bello, a segunda maior da Veneuzuela, aponta que 96% dos venezuelanos estão abaixo da linha da pobreza e na mesma condição da população dos países mais pobres da África, como o Chade e a República Democrática do Congo.

Segundo o sacerdote, a Igreja também sofre com a crise econômica. "Estamos com as igrejas fechadas há quatro meses. Os padres não têm o que comer. O bispo está fazendo milagres. Outro dia, encontrei um seminarista chorando. Os pais dele foram demitidos e não conseguem mais enviar nada ao filho. Estamos vivendo da providência de Deus", relatou o Dom Polito.

Apesar das dificuldades, o bispo garantiu que não pretende abandonar as pessoas nesta condição. "Não vamos deixar as pessoas sozinhas nesta situação terrível que estamos passando. E não estou me referindo apenas à ajuda humanitária, mas também a fortalecer as pessoas integralmente, para lutar contra a corrupção, o descaso, a falta de responsabilidade. Não queremos intervenções, muito menos armadas, mas precisamos pedir ajuda humanitária e sanitária internacional, porque não temos outra alternativa: ou morremos do coronavírus ou morremos de fome", destacou o bispo.

Com informações da Aleteia

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