Cultura

Série sobre os Beatles estreia nesta quinta

Dividida em três episódios, 'Get Back' é uma obra-prima que visita o grupo mais importante do século 20 durante todo o mês de janeiro de 1969

Jucielle Leal

Há 4 dias


The Beatles em estúdio (Foto: Apple Corps/Divulgação)
The Beatles em estúdio (Foto: Apple Corps/Divulgação)

Música - The Beatles, uma das bandas de rock mais populares do mundo, tem parte de sua história contada na série “Get Back”, que estreia nesta quinta-feira (25), no serviço de streaming Disney+. Dividida em três episódios (cada um com mais de duas horas e um transmitido a cada dia: primeiro na quinta, segundo na sexta e terceiro no sábado), a série é uma obra-prima que visita o grupo mais importante do século 20 durante todo o mês de janeiro de 1969.

As quase 60 horas de gravação em vídeo daquele período, que se transformaram no terceiro filme da banda, seu epitáfio “Let it Be”, lançado em 1970, foram a base para seu novo projeto que está sendo lançado este ano, encabeçado pelo mesmo Peter Jackson que trouxe ao mundo os filmes do “Senhor dos Anéis”, e desde já um dos acontecimentos mais importantes na cultura deste início de novo século.

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Se dar vida aos magos, monstros e elfos criados pelo escritor J.R.R. Tolkien colocou Jackson no topo do entretenimento do século 21, visitar o grupo musical mais popular e revolucionário de todos os tempos foi uma tarefa ainda mais complexa, pois os seres mitológicos não precisavam ser criados, mas reapresentados.

E se a versão original, que gerou o filme “Let it Be”, de Michael Lindsay-Hogg, trazia o tom amargo do final da carreira do grupo, a versão do diretor neozelandês Peter Jackson consegue um feito impressionante: mostrar o processo criativo dos Beatles.

Só isso valeria assistir às quase oito horas de material que o seriado apresenta para o público. É material recolhido em apenas um mês da história da banda, mas é ouro puro.

Mostra não só os Beatles compondo canções do zero (como um dava pitaco nas músicas dos outros) como as ideias que se completavam, tanto lírica quanto musicalmente. Os quatro funcionavam como uma só unidade.

“Get Back” mergulha no processo criativo de quatro amigos que trabalharam juntos há mais de dez anos, cresceram e amadureceram juntos, ao mesmo tempo em que mostra suas características humanas e não apenas as feridas abertas neste processo, mas também como eles gostavam um do outro.

Ringo Starr, Paul McCartney, John Lennon e George Harrison na série documental (Foto: Courtesy of Apple Corps/Divulgação)

Mirando nos fãs mais radicais, a série acerta inúmeras vezes. Primeiro tira o peso da presença de Yoko Ono no estúdio, mostrando como os outros Beatles se davam bem com a nova namorada de John Lennon, com quem ele se casaria naquele mesmo 1969.

A série traz um Paul McCartney resignado, dizendo que sabe que se John tiver que escolher entre os Beatles e a Yoko, ele fica com a esposa, mas não diz isso com rancor ou ciúme, apenas constatando a vontade do velho amigo.

Depois dissipa o peso entre os integrantes da banda, imortalizado no filme de 1970. Pesado e sofrido, o filme de Lindsay-Hogg prefere mostrar a banda se desfazendo entre brigas e olhares perdidos do que a mostrar que aquilo fazia parte da rotina do grupo, bem como piadas, brincadeiras e demonstrações de afeto em diferentes níveis.

Quando o clima torna-se insustentável, gancho perfeito para o fim do primeiro episódio, os quatro tentam resolver como possível e sempre há a ênfase que todos os integrantes sabiam da importância do grupo e não o colocava em segundo plano.

Mas ao ultrapassar estes dois obstáculos, ele revela um manancial de criatividade. O grupo não para de tocar e só isso já é motivo de festa: a série registra trechos rápidos de gravações, mostrando como eles testaram um longo repertório, como o filme original fazia, mas também deixa longos trechos da banda tocando, conversando, se encarando e sugerindo coisas uns nas músicas dos outros.

É uma camaradagem transcendental e em vários momentos não é preciso dizer nada, um vai se encaixando na música do outro como se tudo já estivesse ensaiado.

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