Cultura

Rio de Janeiro inaugura Museu da História e Cultura Afro-Brasileira

Instituição, que fica na Gamboa, conta com acervo de mais de dois mil itens

Jucielle Leal

Há 5 dias


Na foto, a escritora Vilma Piedade observa telas de Nelson Sargento (Foto Ana Branco/Agência O Globo)
Na foto, a escritora Vilma Piedade observa telas de Nelson Sargento (Foto Ana Branco/Agência O Globo)

Cultura - O Rio de Janeiro tem agora um novo museu. Quatro anos após ser criado no papel, o Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (Muhcab) foi inaugurado pela prefeitura da cidade, nesta terça-feira (23). 

A instituição, localizada na Gamboa, conta com um acervo de cerca de 2,5 mill itens. São pinturas, esculturas e fotografias, incluindo trabalhos de artistas plásticos contemporâneos. 

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A abertura ao público acontece com a exposição “Protagonismo: memória, orgulho e identidade”, que conta com, entre outras obras,  "Árvore Calcinada", de Nelson Sargento;  “Sambistas”, de Heitor dos Prazeres; e uma criada especialmente para o novo museu,  sem título, de Artedeft, artista que utiliza pintura e colagem digital para mostrar a realidade urbana e periférica.

Logo na entrada, os visitantes dão de cara com uma carranca dando as boas-vindas. Na primeira sala, batizada de Conceição Evaristo, há um grande mapa mostrando  as rotas do tráfico de escravos da África para o Brasil. Lá também é vista a instalação “Tecendo raízes”, uma ciranda com tecidos africanos que faz uma viagem até as origens dos povos ancestrais. O percurso segue pela sala Agnaldo Camargo, onde o público tem a chance de conhecer uma série de plantas com fins de cura, cada uma relacionada a um orixá, além de esculturas em barro dos mesmos orixás, da artista Carmem Barros.

Uma outra sala, chamada Grande Otelo, reúne textos e fotos sobre temas como o mito da democracia racial, ditadura e resistência. Três telas de Nelson Sargento, artista multifacetado, baluarte da Mangueira e que também se destacava como pintor, são um destaque à parte, junto a um acervo fotográfico com imagens da atriz Ruth de Souza e do Teatro Experimental do Negro (TEN). Já a sala do Educativo leva o nome de Mestre Marçal e terá atividades para  crianças e adolescentes. Por último, a sala Abdias do Nascimento apresenta uma  linha do tempo e vídeos com a história do Muhcab e uma obra interativa onde o visitante pisa no território conhecido como Pequena África.

Estamos no Novembro Negro, essa região é a nossa Pequena África. Fizemos um investimento grande para que  esse prédio funcione como uma espécie de farol que, junto com o Instituto dos Pretos Novos [IPN] e o Cais do Valongo,  possa chamar a atenção para a cultura do povo negro na formação da história da nossa cidade. E que assim, num futuro não tão distante, possamos construir uma sociedade mais justa e mais igual”, afirmou o prefeito Eduardo Paes, presente na inauguração.

Para o secretário de Cultura, Marcus Faustini, o museu surge com uma missão muito valiosa, que é trabalhar com a memória da cultura negra da região e, de alguma maneira, também apontar para o futuro de um Rio de Janeiro que assume a cultura negra como a sua centralidade. “Esse espaço tem um acervo rico que trata da luta e a da resistência, além da potência artística do povo negro. É um passeio artístico e educativo para todas as famílias. É uma alegria muito grande apresentar esse museu para a população carioca e para os turistas.

O museu tem muitas obras que, a partir de agora, vão passar  por um tratamento de maior cuidado e carinho. Além da visitação do acervo, as pessoas vão poder fazer oficinas de teatro e percussão. É emocionante e uma alegria enorme reabrir esse espaço porque eu frequentei muito essa casa nos anos 90, quando ainda era um centro cultural.  Esse museu tem muita importância para o movimento negro”, contou o diretor-geral do Muhcab,  Leandro Santanna.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Curtir
Tags

NOTÍCIAS RELACIONADAS

MAIS LIDAS

PUBLICIDADE