Espiritualidade

Após dois anos de restrições, Igreja Católica celebra o Dia de Nossa Senhora de Fátima

Cidade portuguesa recebeu peregrinos, fez procissões e celebrou missas

Pâmela Lima

Há 3 dias


Milhares de pessoas visitaram o santuário (Foto: Divulgação/Santuario de Fatima)
Milhares de pessoas visitaram o santuário (Foto: Divulgação/Santuario de Fatima)

Devoção - A Igreja Católica celebra nesta sexta-feira (13) o Dia de Nossa Senhora de Fátima. Após dois anos de restrições e proibições de aglomerações devido aos protocolos sanitários de combate à Covid-19, o Santuário de Fátima pode realizar as tradicionais procissões e missas em honra à aparição da Virgem Santíssima.

O santuário português tem um simbolismo especial, porque foi erguido a pedido da Virgem Maria. “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário” (Primeira Memória da Irmã Lúcia), disse a Mãe de Deus em aparição aos três pastorinhos, Lúcia de Jesus, Francisco Marto e Jacinta Marto, no dia 13 de outubro de 1917. A construção da igreja ocorreu dois anos depois, na Cova da Iria, local das aparições.

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Neste dia 13 de maio, além de recordar a primeira Aparição da Virgem de Fátima, os fiéis comemoraram o quinto aniversário da canonização dos Santos Francisco e Jacinta Marto. O arcebispo Dom Edgar Peña Parra mencionou o conflito entre Rússia e Ucrânia e fez um apelo pela paz e pelo diálogo.

Dizemos e amplificamos muitas palavras, movidos pela pressa de dizer ou fazer sempre qualquer coisa, esquecendo de nos dessedentarmos com calma na fonte da vida e da paz (...) Mesmo a nível internacional, pensemos como seria importante escutar as razões do outro e dar prioridade ao diálogo e à negociação, os únicos caminhos para uma paz estável e duradoura, em vez de empreender ações inspiradas pela busca gananciosa e apressada dos próprios interesses”, afirmou na homilia da missa.

O prelado convidou os romeiros a rezarem “pela paz no mundo, em especial pelas vítimas do conflito na Ucrânia, para que o Senhor abra os corações dos decisores políticos e os leve ao discernimento de que só na paz é possível ser todos irmãos”. “A escuta, feita de silêncio que abre o coração, ajuda a acalmar ressentimentos e rancores e reencontrar o caminho da paz. A isto nos convida Fátima”, afirmou.

Revelações

Antes das aparições de Maria, o Anjo da Paz conversou com os três irmãos Lúcia, de 10 anos; Francisco, de 9 anos, e Jacinta, de 7, em três ocasiões durante o ano de 1916 para prepará-los para a visita de Nossa Senhora. A primeira aparição da Virgem Santíssima ocorreu no dia 13 de maio de 1917. O fenômeno se repetiu nos meses seguintes sempre no dia 13 e até outubro. A única exceção ocorreu em agosto, quando Nossa Senhora surgiu no dia 19.

A Virgem Maria se identificou como a “Senhora do Rosário” e pediu que as crianças rezassem muito e aprendessem a ler. Em julho, a Nossa Senhora revelou o que ficou conhecido como o primeiro segredo de Fátima. No entanto, o conteúdo da mensagem só se tornou público em 1941, no livro escrito por Lúcia. Maria mostrou a visão do inferno. O segundo segredo foi um pedido de Nossa Senhora para a devoção ao Imaculado Coração de Maria e a conversão da Rússia, que tinha acabado de abolir a monarquia com o assassinato a sangue frio de todos os membros da família real e instalado o regime comunista no país. A Mãe de Jesus alertou que se isso não ocorresse a Rússia espalharia seus erros pelo mundo.

O terceiro segredo de Fátima também foi escrito por Lúcia, em 1941, mas foi divulgado apenas no dia 13 de maio de 2000. A Mãe de Deus contou sobre a perseguição da Igreja e que “o bispo de branco iria atravessar a cidade em ruínas, orando pelas almas dos cadáveres que ia encontrando no caminho, até ser alvejado por tiros de soldados e, junto a ele, vários bispos, sacerdotes e leigos”. Três papas tiveram acesso ao segredo: João XXIII, Paulo VI e João Paulo II.

No dia 13 de maio de 1981, o Papa João Paulo II foi baleado no abdômen às 17h19, quando fazia a sua volta habitual entre os fiéis reunidos para a Audiência Geral de quarta-feira, na Praça São Pedro, no Vaticano. “E desejo uma vez mais celebrar a bondade do Senhor para comigo, quando, duramente atingido naquele dia 13 de maio de 1981, fui salvo da morte. Exprimo a minha gratidão também à beata Jacinta pelos sacrifícios e orações oferecidas pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento”, disse o papa.

Depois disso, João Paulo II visitou três vezes o santuário: em 1982 para agradecer à Virgem do Rosário, em 1991 e em 2000, para a beatificação dos veneráveis pastorinhos de Fátima, Francisco e Jacinta. João Paulo II passou a ser associado ao bispo de branco ferido por tiros de soldados, como foi descrito por Nossa Senhora em 1917.

“Na sua solicitude materna, a Santíssima Virgem veio aqui, a Fátima, pedir aos homens para ‘não ofenderem mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido’. É a dor de mãe que A faz falar; está em jogo a sorte de seus filhos. Por isso, dizia aos pastorinhos: ‘Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas’”, ressaltou João Paulo II.

Jacinta e Francisco contraíram gripe espanhola e faleceram, respectivamente, em 1920 e 1919. Lúcia se tornou freira e morreu em 2005, aos 97 anos. Os irmãos foram canonizados em 2017; o caso de Lúcia ainda está em avaliação.

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