Espiritualidade

Após 9 anos, família aguarda notícias de idosa que desapareceu em romaria a Aparecida

Beatriz Winck, na época com 77 anos, foi vista pela última vez na porta de uma loja no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo

Pâmela Lima

Há 5 dias


Beatriz Winck (Foto: Arquivo Pessoal)
Beatriz Winck (Foto: Arquivo Pessoal)

'Onde está dona Beatriz?' - O químico João Winck, de 62 anos, trava uma luta há 9 anos para descobrir o paradeiro da mãe, Beatriz Winck. Ela desapareceu durante romaria a Aparecida, no interior de São Paulo, no dia 21 de outubro de 2012. Beatriz, na época com 77 anos, viajou com o marido Delmar Winck em uma excursão com cerca de 30 pessoas. A família mora em Portão, no Rio Grande do Sul.

Segundo o aposentado, ele estava em uma loja no Santuário Nacional de Aparecida e Beatriz aguardava do lado de fora. Quando ele saiu, ela nao estava mais lá e nunca mais foi vista. A família acionou a polícia, contratou detetives e João chegou até a falar com traficantes da região, mas nenhuma notícia.

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O casal chegou a Aparecida em um domingo, fez o check-in no hotel e saiu para percorrer a cidade. "Eles fizeram um passeio pelo Santuário, que naquele dia estava com um público muito grande. Durante essa caminhada, resolveram entrar na Casa das Velas, que vende artigos religiosos dentro da Basílica", conta João.

"Eles escolheram o material que queriam e foram em direção ao caixa. Mas como havia uma fila, meu pai pediu pra minha mãe aguardar na porta de saída da loja, porque ele iria entrar na fila e pagar. Ele viu a minha mãe parada ali fora, esperando. Quando foi a vez dele, pagou e saiu, mas não encontrou mais a minha mãe", disse João.

Delmar saiu a procura da mulher, mas não descobriu onde estava. À noite, ele ligou para os filhos e contou o que tinha acontecido. João pegou um voo para Aparecida e registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte. O caso seguiu para a Polícia Civil, que repassou para o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Delmar, atualmente com 90 anos, ainda pergunta por Beatriz. O casal teve uma união de 60 anos e quatro filhos, mas João tomou a responsabilidade de procurar pela mãe. "Cheguei a conversar com um gerente de boca de fumo para pedir ajuda. Um juiz me disse que eu não deveria ter feito isso, porque depois ficaria na mão do cara. Mas eu disse pra ele que naquele momento o que mais me importava era procurar a minha mãe", contou ao G1.

A família mandou fazer mais de 50 mil folhetos com fotos da idosa para distribuir em Aparecida. Ninguém com as características da idosa foi visto na região. As câmeras de segurança também não registraram a movimentação de fora da loja. O Santuário Nacional de Aparecida informou em nota à BBC News Brasil que conta com "estrutura e protocolos que são acionados quando as pessoas se desencontram de seus familiares, sendo efetivo o reencontro ainda no mesmo dia". No caso de Beatriz, o santuário informou que prestou a ajuda solicitada.

Pelo que a família apurou, a idosa não entrou em ônibus errado, não tentou voltar para casa, não deu entrada em hospitais e ninguém entrou em contato para pedir resgate, portanto também não se trata de sequestro. A família conta ainda que ela não sofria de doenças que pudessem causar desorientação. "Antes de viajar, ela fez um check-up e o médico disse que ela não tinha nenhum problema de saúde. Temos por base que ela estava em condições de viajar. Ela não tinha Alzheimer ou alguma doença que a deixasse com lapsos de memória", declara João.

João visitou o Instituto Médico Legal (IML) quando soube de relatos de corpos de idosas que não foram identificadas, mas os exames indicaram que nenhum era da dona Beatriz. No ano passado, João criou a página "Onde está dona Beatriz?" no Facebook para ajudar na busca. O perfil é seguido por mais de 18 mil pessoas e já teve mais de 106 mil compartilhamentos. Ele recebeu notícias de idosas desmemoriadas nas ruas e em hospitais, mas nenhuma delas era Beatriz.

João também se cadastrou na Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. A iniciativa facilita a identificação de pessoas desaparecidas por meio de exames e bancos de perfis genéticos. Ele acredita que a mãe ainda está viva. "O meu sentimento é de que ela não desapareceu por falta de memória ou algo parecido. Alguma coisa aconteceu, mas não sei. Acredito que ainda vou encontrá-la em um hospital, por meio da polícia".

 

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